Campanha “Mundo Sem Fronteiras” triplica doações para transformar vidas de alunos negros feanos
A FEAUSP está celebrando seus 80 anos com um desafio ambicioso: derrubar as barreiras linguísticas que ainda limitam o potencial de seus talentos negros. A segunda edição da campanha Mundo Sem Fronteiras, projeto da FEAUSP idealizado pelas professoras Sylvia Saes, vice-diretora da Faculdade, e Adriana Marotti, então presidente da Comissão de Graduação, entrou em sua reta final e precisa atingir a meta integral de arrecadação para garantir que a iniciativa se concretize.
Com grande apoio do Fundo Patrimonial da FEAUSP e mobilização da ANFEA, o projeto busca ampliar o acesso ao aprendizado de idiomas e desenvolver habilidades que abram portas dentro e fora do país. Com prazo prorrogado até o dia 20 de junho, a campanha reforça o compromisso da Faculdade com a permanência, a diversidade e a internacionalização de seus estudantes. Na edição anterior, foram concedidas mais de 110 bolsas para cursos de idiomas e três bolsas de intercâmbio, oferecendo aos estudantes uma chance concreta de se preparar melhor para oportunidades acadêmicas e profissionais.
Na última segunda-feira de maio, 25, ocorreu o evento "Mundo Sem Fronteiras", organizado pela Associação de Negros Feanos (ANFEA) como forma de divulgação da campanha. Para além disso, o encontro promoveu uma discussão sobre carreiras e revelou como a faculdade pode servir de ponte para a mobilidade social e potencializar alunos negros a ocuparem espaços globais. Entre relatos de quem saiu da periferia para intercâmbios na Europa e cargos em gigantes do ramo de tecnologia, o evento também teve os novos participantes do PAAC (Programa ANFEA de Aceleração de Carreiras) recebendo seus certificados em um networking de cerca de 40 minutos antes do evento principal.
Para uma das convidadas do evento, Fernanda Mariano, que hoje celebra a aprovação em um mestrado em Harvard após sete anos de Google, a FEA foi o lugar que a permitiu testar paixões sem a pressão de uma estratégia rígida. "A minha trajetória na FEA foi super não linear. Eu não fiz nada pensando em qual entidade seria melhor para o mercado de trabalho, foi sendo guiado pelo que eu gostava", relatou ela, acrescentando que sua experiência na Bateria S.A. foi tema de uma de suas redações que a fez ingressar em uma universidade americana. Para Fernanda, o papel da instituição foi decisivo: "Foi a FEA, literalmente a FEA que me colocou naquele avião para a Dinamarca por conta de um TCC. Eu jamais imaginaria que existia uma academia europeia de marketing".
O evento também abriu espaço para as angústias dos atuais estudantes. Laura, aluna do 2º ano de Administração, compartilhou o "choque" de estagiar na Faria Lima vindo de Embu das Artes, questionando se realmente pertencia àquele ambiente. Em resposta, os veteranos foram unânimes: "Calma". Renan Silva, um dos convidados, reforçou que a dúvida é comum, mas que a presença desses alunos nesses espaços é legítima e um processo natural. Renan, que hoje atua com inovação e empreendedorismo, destacou como as entidades e projetos da FEA, como o Inova Graduação, ajudam a desenvolver a resiliência necessária para enfrentar esses desafios fora da sala de aula.
A transformação de vida também foi o fio condutor da fala de Mizael, hoje gestor no Banco Itaú. Vindo de uma realidade onde a USP não era sequer um sonho por ser desconhecida em seu meio, ele descreveu a entrada no mercado financeiro como uma "mudança de vida de fato" para ele próprio e sua família. Mizael defendeu que o maior ativo da graduação é o pensamento estruturado. "A faculdade me deu um método de fazer e aprender. Qualquer desafio que surge, a gente consegue estruturar o começo, meio e fim", explicou, reforçando que essa capacidade metodológica é o que permite a evolução na carreira, mesmo para quem não planejou cada passo desde o início.
Se dentro da sala de aula é o lugar onde o pensamento pode ser estruturado, fora dela é o ambiente onde cada vez mais medidas têm sido estruturadas para alavancar a carreira de jovens estudantes negros. Em parceria com o Fundo Patrimonial, a ANFEA busca agora novos doadores e voluntários para fortalecer suas frentes de apoio à permanência e à internacionalização. Com idealização da professora Adriana Marotti, a iniciativa já tem tido resultados concretos que servem de vitrine para essa campanha. "Esse evento tem como sentido fazer uma campanha como a do ano passado, em que conseguimos arrecadar recursos suficientes para dar mais de 100 bolsas de estudo de idiomas", explicou a organização durante a abertura do encontro "Mundo sem Fronteiras".
Para potencializar o alcance das doações, a campanha Mundo Sem Fronteiras utiliza um modelo de matchfunding, no qual o impacto de cada contribuição é multiplicado por três. Conforme divulgado pelo Fundo Patrimonial da FEA-USP, a mecânica é direta: a cada 1 real doado pela comunidade, outros 2 são adicionados por parceiros, triplicando o valor final destinado ao projeto. Na prática, isso significa que qualquer valor, por menor que pareça, tem o poder de impactar novas trajetórias de forma significativa.
Para que o projeto de expansão do aprendizado de idiomas e das oportunidades de intercâmbio aconteça, é fundamental que a meta de arrecadação seja atingida integralmente. "Cada contribuição faz diferença, e aqui, ela vale por três", reforça a comunicação oficial da campanha, destacando que o objetivo final é garantir a permanência e a transformação real na vida de estudantes negros da faculdade. No entanto, o projeto opera sob a regra do "Tudo ou Nada": caso a meta de R$ 297 mil não seja alcançada nos próximos 11 dias, todos os valores são devolvidos aos doadores e as bolsas não são viabilizadas.
Se você acredita no poder transformador da educação, faça parte: seu apoio amplia o acesso de estudantes negros da FEAUSP a idiomas e intercâmbios, fortalece trajetórias, amplia horizontes e promove permanência — impulsionando o futuro dos alunos e de toda a comunidade FEA.
Mais informações podem ser obtidas no site da campanha, onde há mais detalhes sobre o projeto, os objetivos, como você pode doar, além de alguns depoimentos daqueles que já tiveram suas vidas transformadas com o Mundo Sem Fronteiras.